CSU ENTRA NA DISPUTA POR US$ 4 BILHÕES
26 de Novembro de 2009 @ 14:52 por Jose Reis
jornal Valor Econômico 19/11/2009 - Janes Rocha
A CSU Cardsystem alimenta grande expectativa com sua entrada no negócio de processamento de adquirentes de cartões de crédito, anunciada ontem em comunicado à bolsa. Trata-se do mercado de R$ 6 bilhões em faturamento e R$ 4 bilhões em lucros líquidos que acaba de ser aberto com o fim do “duopólio” das empresas Cielo (ex- VisaNet) e Redecard.
A operação de adquirência já fazia parte do software Super Vision Plus, a alma da CSU, desde sua fundação há 18 anos, explica Marcos Leite, presidente da empresa. É com essa ferramenta que a empresa presta os serviços de processamento de meios eletrônicos de pagamento para 15 clientes entre grandes, médios e pequenos bancos e cadeias de varejo, emissores de cartões. Só que o módulo não podia ser usado, já que o mercado era fechado.
Em 2008, quando começou a ouvir rumores sobre a possível abertura na área de adquirentes, Leite deu a largada na atualização do software. Com o módulo adaptado da tecnologia americana às regras das bandeiras Visa e Mastercard e à realidade econômica brasileira, o Super Vision será capaz de prover a rede de captura de transações e a gestão desta rede, além do processamento e os serviços operacionais como central de atendimento, administração, prevenção de fraudes etc.
“Nós investimos mais de US$ 100 milhões no Super Vision desde sua criação e vamos gastar mais US$ 15 milhões no triênio 2008-2010 no preparo final”, disse Leite ao Valor. O objetivo é ganhar novos clientes entre os que estão se preparando para entrar na nova redivisão do mercado. Leite prevê, com base nos contatos que vem fazendo com bancos e redes de varejo, que nos próximos seis a oito meses dez empresas vão estrear como adquirentes, disputando com Cielo e Redecard.
A abertura do mercado de adquirência promete uma verdadeira revolução no sistema de pagamento eletrônico do varejo brasileiro. Os estabelecimentos comerciais que queiram aceitar cartão hoje devem ter duas máquinas, uma para Mastercard, outra para Visa. Pelas duas pagam taxas que variam de 2,5% a 5% por transação. Esse foi o motivo de um boicote organizado dos grandes supermercados às empresas de cartões de crédito cinco anos atrás, que resultou em nada quando foram vencidos pelo fato de que o mercado era controlado pelo “duopólio” e pelos bancos por trás das duas empresas.
Muitas das empresas que estão para entrar no mercado, principalmente as de grande porte, deverão abrir sua própria área de adquirência, prevê o presidente da CSU. Bancos de pequeno porte, que não tinham dinheiro para contratar o adquirente, e setores que nunca trabalharam com cartão antes - como redes de atacado e de serviços de saúde (médicos, laboratórios, clínicas) - devem entrar no negócio.
Todos estão de olho na rentabilidade que chega a 78% segundo dados públicos divulgados pela Redecard e a Cielo. O “duopólio” ainda tinha uma despesa com infraestrutura (US$ 150 milhões aproximadamente) que se auto pagava várias vezes com as margens cobradas dos comerciantes. “Na nossa proposta, os clientes vão entrar no negócio sem fazer nenhum investimento tecnológico porque a CSU fornece o serviço completo”, diz Leite. Isso inclui as máquinas de captura de transações, as redes e sua gestão.
Enquanto as empresas que controlavam o mercado cobravam percentuais variáveis por transação, dependendo do movimento do comerciante e de sua capacidade de negociação, a CSU promete cobrar um preço fixo - que Leite não revela, mas garante que é inferior ao custo operacional de R$ 0,30 por transação divulgado pela Redecard. “Não tem mágica. Já temos uma base de 23,4 milhões de cartões, portanto a escala já existe”, diz o empresário.
A CSU detém 54,3% do mercado, mas já se prepara para um aumento da concorrência, já que grandes indústrias do processamento, nacionais e estrangeiras, também vão disputar o serviço. Hoje os maiores concorrentes da CSU são a Orbitall, a Fidelity (do Bradesco) e a americana EDS.







