“KNOW-HOW” DE RAM CHARAN: APLICADO AO CIO – PARTE 3
Nos artigos anteriores já observamos três das 8 competências citadas por Ram Charan no livro “Know-How”. Nessa parte analisaremos mais duas ligadas à gestão de pessoas e suas aplicações práticas em TI.
4 - AVALIAR PESSOAS
O autor destaca aqui a capacidade de aferir pessoas com base em suas ações, decisões e comportamentos, comparando-os com os critérios inegociáveis da função. Um sinal evidente de know-how de qualquer líder é quando ele deixa sua organização mais forte através da correta seleção e formação de boas lideranças. É definitivamente um assunto ao qual deve-se dedicar tempo e energia diariamente.
E isso também vale para os CIOs? Obviamente que sim.
Como um dos líderes da organização, o CIO também tem dentro de suas responsabilidades essa importante função. E com um agravante: por tratar-se de área essencialmente técnica, as competências relacionadas ao tratamento com pessoas é um artigo difícil de encontrar. E por isso, bastante valorizado.
Retirar bons técnicos de suas funções transformando-os em gestores medíocres (e infelizes) é uma antiga prática da área de informática que deve ser abolida. Em seu lugar entra uma correta preparação dos futuros líderes, que envolva outros aspectos importantes em seu desenvolvimento, como visão de negócios e, claro, gestão de pessoas.
Outra forma eficaz mas pouca utilizada na área de TI é o “job rotation”. Em geral, os gestores de formação técnica crescem verticalmente em suas áreas de especialização e quando precisam alçar vôos maiores, sentirão a carência de outras experiências. Provoque sua equipe a sair da zona de conforto. Os verdadeiros líderes aparecerão.
5 - MOLDAR EQUIPES
O autor destaca aqui a capacidade de conseguir que líderes altamente competentes e de ego enorme trabalhem em perfeita harmonia. Todos querem ter uma “seleção” sob seu comando, e a competência de administrar um conjunto de estrelas, fazendo a equipe entender, priorizar e comprometer-se como um todo tem sido cada vez mais valorizada.
Será que o CIO também tem esse assunto em sua pauta? Garanto que sim.
A maioria das áreas de TI no mercado é estruturada por especialidade tecnológica. Será que não estaria aí um embrião dos problemas de comunicação existente entre as áreas de TI e também entre TI e seus pares de negócios?
Ao contrário, se estruturássemos a área em função do negócio da empresa, observando por exemplo sua divisão de produtos ou unidades de negócios não facilitaríamos a integração dos profissionais? A própria gestão do grupo seria facilitada, pois as estruturas em geral apenas separam as pessoas e criam nichos (para não dizer, feudos).
Uma nova forma de organização pode permitir melhor comunicação e transparência – elementos fundamentais na gestão desses talentos.