GETNET QUER COMPETIR POR CARTÕES

jornal Valor Econômico 06/11/2009 - Altamiro Silva Júnior
O gaúcho Ernesto Corrêa da Silva Filho, maior exportador de calçados do mundo, dono de fazendas, hotéis e um frigorífico, quer ser grande também no mercado de cartões. A GetNet, voltada para o credenciamento de estabelecimentos comerciais, captura e processamento de transações com cartões, informa ter investido R$ 160 milhões para se preparar para a abertura do mercado e acaba de se estabelecer em São Paulo.
Com o fim da exclusividade de credenciamento existente entre a bandeira Visa e a VisaNet e entre Mastercard e Redecard, espera-se a entrada de novos competidores nesse mercado e, dentro desse cenário, o nome da GetNet é um dos que mais se comenta. A companhia já foi alvo de tentativa de aquisições nos últimos tempos por parte de grupos interessados em se posicionar na área.
Há informações de que o Santander, com projeto de ser um credenciador, tentou comprar a empresa ou mesmo se associar a ela, mas as negociações não avançaram. A americana Tsys, especializada no processamento de transações e que acaba de desembarcar no país, também fez oferta. Sem sucesso. “O mercado tenta (comprar), mas somos compradores. Estudamos possibilidade de aquisição dentro e fora do Brasil, principalmente em outros países da América Latina”, diz José Renato Hopf, presidente da empresa.
A ideia é crescer com as próprias pernas, ao menos agora. A GetNet não pretende credenciar lojas diretamente para as bandeiras Visa e MasterCard. A estratégia é prestar serviços para os bancos e empresas que tiverem licença das duas bandeiras para o credenciamento. A GetNet, por exemplo, pode credenciar em nome do banco e fazer outros serviços, como captura e processamento das transações e telemarketing.
Hopf diz que essa estrutura é a mais comum lá fora. “A GetNet foi criada seguindo o modelo das companhias americanas. Lá há milhares de bancos credenciando e empresas como a nossa oferecem todo tipo de serviço aos credenciadores e os terminais são compartilhados. Os nossos já são”, diz.
Alvo de críticas de clientes que reclamavam da qualidade da rede, a empresa investiu em tecnologia para tentar solucionar os problemas. A capacidade de processamento passou de 85 transações por segundo para 450. “Está em nível mundial.” Também treinou seus executivos na Fundação Dom Cabral. Os R$ 160 milhões investidores vieram do próprio grupo.
A empresa tem uma rede de 165 mil estabelecimentos credenciados. O número é pequeno quando comparados com os 1,6 milhão de lojistas da VisaNet ou os 1,2 milhão da Redecard, que dominam o mercado. Hopf diz que, apesar de ser menor, sua rede está em todo o país (4,3 mil municípios) e em todo tipo de estabelecimento. “Nossa meta para 2010 é dobrá-la.”
A GetNet foi criada em 2003 com apenas nove funcionários, na cidade de Campo Bom, no interior do Rio Grande do Sul. Hoje tem 900 e, além da unidade no Sul, abriu um escritório em São Paulo. A empresa e o grupo ao qual pertence são de capital fechado e seu fundador vive no Uruguai. Hopf não comenta sobre o grupo. O capital da GetNet pertence 100% a Ernesto Corrêa da Silva Filho.
Segundo dados da empresa, passaram por seus terminais 330 milhões de transações no ano passado, com receita de R$ 160 milhões. A GetNet presta serviços para 21 bandeiras regionais, como Unik (forte no interior de São Paulo e Bahia), Verde Card (atua no Sul) e Calcard (Centro-Oeste). “Das bandeiras regionais, 70% das transações passam pela GetNet”, diz Hopf. A empresa também credencia para a American Express.
Para entrar no Chile, a GetNet comprou no ano passado a Celcarga, que faz recarga de celulares. Agora se preparar para estrear na Colômbia e, em um segundo momento, em outros países, como México, Argentina e Peru.
A abertura de capital da empresa no futuro é um plano para o futuro . “Por enquanto, estamos aperfeiçoando a governança corporativa e contratando auditores. Não dá pra negociar um contrato com um grande banco sem ter governança”, diz Hopf.