2007205 - Maio - Outsourcing de Sistemas

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    Esta estratégia para as atividades de desenvolvimento e manutenção de software foi adotada por inúmerasde empresas, no Brasil e no mundo. Dois foram os principais argumentos considerados:

  • Redução de Custos;
  • Concentração de esforços nas competências essenciais (Core Competences);
  • O fato é que este movimento colheu muitos resultados positivos mas teve também alguns efeitos não previstos.

    Durante o mês de maio, convidaremos diversos profissionais experientes no assunto para dar sua opinião a respeito. Convidaremos clientes e fornecedores para contar suas experiências e o que aprenderam a respeito.

    Mas todos que tiverem uma opinião a dar estão desde já convidados. No final do mês, reuniremos as principais conclusões em uma resenha, fechando o tema.

    10 comentários para “ 2007205 - Maio - Outsourcing de Sistemas ”

    1. guilherme.rigolon disse:

      A Vitalidade do mercado de terceirização em TI está evidente, conforme o Ministério da Ciência e Tecnologia (2006), os investimentos nesse mercado girou em torno de US$ 180 bilhões em 2003 e a expectativa para 2008 é de US$ 253 bilhões, sendo que a média de crescimento anual deve ser de 7,2%. A América Latina deve sair dos US$ 6,9 bilhões em 2004 para US$ 11,5 bilhões em 2009 (dados do Gartner Group). Para o setor financeiro no Mundo, a previsão dos gastos globais até 2007 em TI para o segmento bancário será da ordem de US$ 430 bilhões. No setor financeiro no Brasil no ano de 2004 os bancos investiram R$ 4,2 bilhões na melhoria de suas redes de computadores, software e novos produtos tecnológicos. O país responde por 3,4% do mercado mundial de TI para a área financeira.

    2. Serrano disse:

      Colaboração de Gulherme Rigolon:
      A consultoria Diamond Cluster International Inc divulgou a sua ultima pesquisa sobre terceirização global, chamado “2005 Global IT Outsourcing Study”, nela podemos observar várias informações importantes quanto as percepções de 210 CIOs de empresas colocadas no ranking “global 1000″ e com 242 executivos seniores fornecedores de serviços de terceirização nos EUA, Índia e outros países.

      A primeira descoberta importante é de que em comparação ao ano anterior (2004), o percentual de CIOs satisfeitos com seus fornecedores caiu de 79% (2004) para 62% (2005).

      O número de empresas que encerraram prematuramente contratos de terceirizações em um ano é ainda mais significativo, dobrou em 2005 para 51% contra os 21% em 2004, de acordo com o estudo.

      Alguns fatores contribuem decisivamente para insatisfação dos CIOs em relação aos contratos de terceirização. A forte disputa pelos melhores talentos entre as Consultorias que gera muita rotatividade de prestadores; o aumento muito rápido e significativo do número de Consultorias concorrentes; com freqüência as empresas contratantes subestimam as mudanças que os contratos de terceirização em larga escala podem acarretar; a resistência natural dos empregados e as preocupações sobre a legislação trabalhista

      Uma situação bastante comum nos processos de internalização é a dos profissionais de TI (ex. Analistas de Sistemas, Analistas de Suporte, Programadores, Técnicos, etc.), onde a dificuldade de convencimento destes profissionais que trabalham no parceiro ou até mesmo nas dependências da empresa, em fazer parte do quadro de funcionários CLT da empresa. Três são os principais empecilhos:

      1. O profissional terceiro tem no parceiro uma flexibilidade em termos de horário o qual, provavelmente, não encontrará na empresa.
      2. O terceiro que foi demitido pela empresa e absorvido pelo parceiro na época da terceirização, normalmente mantém uma mágoa da empresa, mesmo prestando serviço a ela.
      3. Como o profissional terceiro, e normalmente, contratado através de um contrato pessoa jurídica (os chamados contratos PJ), este recebe mais do que se for um funcionário CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) na empresa.

    3. Carlos Alberto do Santos disse:

      Colaboração de Carlos Alberto dos Santos, ex-Diretor Executivo de Infra-Estrutura da Orbitall.
      ACP, seguem alguns comentarios sobre o crescimento do Outsourcing:
      1: A globalizaçao tem aumentado consideravelmente a participaçao de outros paises no desenvolvimento de Aplicaçoes (India, Brazil, etc.);
      2: A Internet tambem facilita esta onda. Hoje já é possivel encontrar programadores, inclusive com classificaçao de rate/qualidade, na rede.
      3: No Brasil um fator importante é a complicada legislaçao trabalhista e sua carga tributaria. Muitas empresas recorrem a empresas (Resource, Alit, Stefanini, etc.) para fugir da relação trabalhista e sua pesada carga fiscal. Estas empresas mantém um relaçao de trabalho diferente, ou seja é constituida de milhares de pessoas jurídicas de duas pernas. Veja a briga dos sindicatos para manter o veto do Lula.

      O professor Jose Pastore, que escreve no Estadão, vem descrevendo este problema da carga tributária muito bem. Veja a materia de hoje (11/05) na pagina B7, do Everardo Maciel. Tem tudo a ver!

      Estes aspectos e muitos outros tais como manter o foco no Core Business, projetos sazonais, falta de especialistas, redução de custos, qualidade, Governança Corporativa, Segurança, SOX etc. impulsionam cada vez mais a opção do Outsourcing. Estes são apenas alguns rápidos comentários que devem ser melhor explorados pelo forum. Um grande abraço para você e o Serrano.

    4. Serrano disse:

      Body Shop para outsourcing: de fornecedores a parceiros estratégicos

      Artigo escrito por Gilmar Batistela, presidente do Grupo Resource IT para Careers - Convergência Digital, em 30/04/2007

      Um novo movimento pode ser observado no segmento de prestação de serviços de desenvolvimento de software: a migração dos contratos de body shop ou alocação de profissionais para outsourcing. Esse movimento começou a se intensificar há cerca de cinco anos e está ligado diretamente ao desejo das empresas de melhorar seus processos, ganhar eficiência e segregar os custos fixos e variáveis.

      No modelo de outsourcing de desenvolvimento em questão, o cliente só paga pelo que de fato utiliza, com a vantagem de poder se dedicar mais ao negócio. A gestão continua sob o poder da empresa cliente, mas espera-se que o fornecedor do serviço tenha know-how, melhores práticas e seu próprio gerenciamento de projetos. Neste modelo, as empresas também eliminam o “liability”, porque os desenvolvedores permanecem fora da casa do cliente. Funções como manutenção corretiva, evolutiva e de suporte passam a ser realizadas pelo parceiro de outsourcing, resolvendo as demandas do dia-a-dia do desenvolvimento.

      A experiência mostra que uma empresa pode até minimizar seus custos com a adoção do outsourcing, mas o principal benefício é a redução de um elevado número de fornecedores e sua transformação de provedores de mão-de-obra para parceiros estratégicos de negócio. No caso do outsourcing, a empresa que se habilitar a praticá-lo deverá compreender que o conhecimento do negócio do cliente e o comprometimento com o resultado também serão terceirizados. O cliente não mais pagará o preço da ineficiência.

      Entretanto, a questão principal hoje para as empresas que estão pensando em migrar seus contratos de body shop para outsourcing é a maturidade de seus processos de TI. Muitas empresas evoluíram neste sentido e, internamente, estão mais bem preparadas para esse salto ou mudança de paradigma do que outras. Algumas ainda precisarão sofrer adaptações e estruturar-se em uma nova forma de organização antes de poder terceirizar seu desenvolvimento.

      Seja qual for o estágio em que sua empresa se encontra, se existe uma forte demanda por desenvolvimento de sistemas, será inevitável buscar pelo outsourcing cedo ou tarde. Isto, todavia, não invalida o fato de que a alocação de profissionais é necessária em determinados projetos e continuará ocupando um papel importante no cenário da prestação de serviços de TI.

      * Gilmar Batistela é presidente do Grupo Resource, especializado em outsourcing de desenvolvimento de software e integração de TI

    5. Rafael Rocha disse:

      Alguns dos meus colegas sabem da minha posição em relação a este assunto, entretanto eu gostaria de destacar um ponto, a meu ver, fundamental. Não consigo enxergar uma implementação bem sucedida de Outsourcing se o fornecedor (ou fornecedores) não for “aculturado” ao ambiente do cliente.

      Quando falo de ambiente do cliente não falo só do ambiente de negócios, falo também do ambiente tecnológico, cujo entendimento é fundamental ao bom “trânsito” das demandas entre cliente e fornecedor. Este entendimento será mais superficial ou mais profundo dependendo do modelo de outsourcing adotado. Se falarmos de uma “fábrica de códigos”, com certeza será mais superficial. Se falarmos em “sustentação” de sistemas, não tem como não ser extremamente profundo.
      Por incrível que pareça, já tomei conhecimento de vários insucessos neste tema justamente por conta desta “incompreensão”.

      Penso que outro aspecto importante refere-se à preparação da equipe interna responsável pela especificação e encaminhamento das demandas ao fornecedor. Ao longo dos últimos anos, em grande parte das empresas, foi sendo perdida a capacidade de se“colocar no papel” os requisitos dos usuários, bem como seu entendimento materializado através de uma especificação técnica. Sem um documento formal que permita um entendimento completo da demanda, fica impossível garantir que aquilo que foi solicitado será efetivamente implementado. Ou seja, a equipe interna deverá necessariamente estar capacitada ao cumprimento deste papel, bem como aprender a exercer monitoração de seu fornecedor através de acordos de nível de serviço, consagrados em contrato, e ter gestão dos projetos num nível mais macro, porém com maior proximidade.

    6. Guilherme Rigolon disse:

      A terceirização é um processo que veio para ficar no Brasil e no mundo, que movimenta milhões de dólares e reais. Nesse contexto as empresas necessitam cada vez mais se atentarem também com possíveis “voltas” nestes procedimentos. A internalização é um processo muito intenso, doloroso e igualmente importante que a terceirização e merece inclusive, um plano detalhado e minucioso.

      Para maximizar a possibilidade de sucesso e minimizar os conflitos, as empresas devem construir um plano de retomada bem elaborado e negociado. Este plano deve considerar alguns pontos importantes:

      * Um contrato-tampão para o período da “volta”, viabilizando um tempo vital para recompor e formar uma nova equipe interna e assumir com segurança o controle da situação. Deve-se levar em conta que a montagem de uma nova equipe demorará, custará caro e exigirá um enorme esforço;

      * A retomada deve ser vista como um caminho sem volta, pelo menos a médio prazo;

      *A internalização é vista por alguns empregados como uma saborosa vitória e qualquer tentativa futura de terceirizar novamente receberá uma oposição ainda mais dura que a original.

      A reversão de uma terceirização é um processo organizacional factível, viável e trabalhoso, caso a empresa chegue a conclusão que algo mudou ou deu errado, os cuidados que devem ser tomados serão os pontos principais do sucesso desta “volta”. Várias empresas interromperam o processo de terceirização e internalizaram as atividades de TI, como são os casos da Telefônica (Brasil) e da Nissan (USA).

    7. Renato Gobbo Fonseca disse:

      O processo de terceirização nas empresas de TI implica em vários fatores, não só trabalhistas mas também no âmbito de atendimento ao cliente. Este processo nos últimos 10 anos está sacrificando a mão de obra especializada, o recurso humano que as empresas possuíam, juntamente com o histórico e conhecimento que cada possui da empresa a qual presta serviço.

      Parece que os CEO´s responsáveis por TI estão vendo somente a parte econômica, tal como cortar custos, gastar menos com recursos humanos, e nesta onda, os bons profissionais, que há 10 anos recebiam um salário digno, hoje, mesmo com PJ e arcando com toda a carga tributária e fiscal decorrente de suas empresas, estão tendo propostas indecorosas de remuneração,. até 30% abaixo de um empregado CLT da mesma empresa.

      Estou publicando um trabalho de pesquisa na empresa Cadware Informática, onde faço uma analise deste processo nos últimos 30 anos, nos quais 20 trabalhei em regime de CLT e nos últimos 10 como P.J.
      A quem interessar, pode acessar o link http://www.cwbookstore.com.br/bookstore/ e o trabalho: Gestão de Pessoas em TI

    8. Renato Gobbo Fonseca disse:

      Complementando meu comentario anterior, discordo do Serrano quando diz que o terceiro PJ recebe mais que o empregado de mesmo nivel CLT. Estou vivendo no dia a dia e quem ganha mais são somente as grandes consultorias, que levam a maior parte do salario, principalmente agora que inventaram o tal “CLT” flex que serve apenas para tampar o sol com a peneira e diminuir ainda mais o salario P.J.

    9. Antonio Magnoli Jr. disse:

      Serrano / Rigolon / Gobbo - Parabéns - Gostei bastante dos depoimentos - abração

    10. Paulo Andrade disse:

      Sou partidário da visão empírica expressa pelo Raphael Rocha, sobre a necessidade de aculturação do fornecedor.
      A execução do trabalho é uma tarefa delegavel, porém o ato de pensar não.
      Muitos gestores caem na tentação simplista de ignorar os valores agregados pelo trabalho de profissionais comprometicos com o negócio da empresa e resumem a análise do problema ao aspecto da comóditie da mão de obra.
      O resultado é que a coisa vai se emperrando na medida em que a sinergia se desfaz e a vantagem inicial da redução dos custo fica comprometida. Em certas situações alguem decide reinternalizar as atividades, como se a causa dos problemas estivesse em executar os trabalhos com equipes internas ou externas.
      Sem instrumentos que preservem o ato de pensar o negócio e a capacidade de articular os recursos, o outsourcing tende ao fracasso, entre outras coisas, por causa do conflito de objetivos entre a empresa contratante e a contratada.
      Olhando sob a ótica do negócio, isso é bastante óbvio. Como bem observou o Raphael, isso também tem de ser considerado no âmbito dos modelos e dos recursos tecnológicos da empresa.

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